sábado, 27 de março de 2010

Passos Coelho vence PSD mas perde na Madeira

Novo líder do PSD foi eleito por mais de 60%, menos na Madeira, que apostou em Rangel
Pedro Passos Coelho é o novo presidente do PSD, tendo alcançado uma vitória folgada a nível nacional, com uma votação a rondar os 61 por cento, mas sem contar com a ajuda da Madeira, única região onde não ganhou. Os militantes do PSD-Madeira votaram em contra-ciclo e em massa em Paulo Rangel, que recolheu 86 por cento dos votos, enquanto Pedro Passos Coelho não foi além dos 12 por cento. Os resultados apurados na Região mostram que os apelos ao voto dirigidos por Alberto João Jardim e por outros dirigentes madeirenses foram seguidos pela maioria dos militantes. Assim, dos 2.240 inscritos, 1.950 votaram em Paulo Rangel, 256 em Pedro Passos Coelho, 14 em José Pedro Aguiar-Branco e apenas 4 em Castanheira Barros. Apesar desta derrota na Madeira, na sua declaração de vitória, já perto das 01h00 desta madrugada, Pedro Passos Coelho afirmou que conta com todos os militantes para ganhar a confiança dos portugueses, incluindo os das regiões autónomas da Madeira e dos Açores. Jardim sem comentáriosConhecida a vitória no plano nacional de Pedro Passos Coelho, o líder do PSD-Madeira, Alberto João Jardim, disse estar "consumada a eleição, não há comentários a fazer". Ao sair da sede da Rua dos Netos, escusou-se a fazer mais comentários aos resultados das eleições internas do partido. Pedro Passos Coelho ouviu ontem em directo o seu adversário na corrida à liderança do PSD José Pedro Aguiar-Branco defender que não deverá haver excluídos no partido, e prometeu que "não haverá". Passos Coelho ouviu o discurso de Aguiar-Branco na sala da sua sede de campanha onde se encontrava a comunicação social, rodeado por repórteres de imagem e tendo ao seu lado os apoiantes Marco António Costa, Luís Montenegro e Mira Amaral. Logo no início do discurso, quando Aguiar-Branco o felicitou pela vitória, Passos Coelho acenou com a cabeça em sinal de agradecimento. Depois, quando o líder parlamentar do PSD defendeu que não deverá haver excluídos nem ostracizados no partido, Passos Coelho disse: "Não haverá". Na reacção aos resultados, Paulo Rangel disse ter sido um "privilégio" como experiência política e pessoal ter sido candidato à liderança do PSD. O eurodeputado prometeu colaborar com a nova direcção social democrata. "O partido pode contar, e o novo presidente, com a minha disponibilidade primeiro como eurodeputado eleito pelos portugueses o ano passado e agora como militante para colaborar num grande projecto social democrata que seja uma verdadeira alternativa àquele que foi o único adversário que tivemos nestas eleições, que foi o PS", enfatizou. Lembrando que teve sempre ao longo dos anos uma intervenção política e cívica, Paulo Rangel assegurou que terá uma "atitude de lealdade". "Como militante que sou há quatro anos, nunca ninguém me ouviu pôr numa posição de dissidência ou divergência com as direcções", lembrou. Ponta de sol 'rebelde'O Funchal já votou em candidatos que não eram os favoritos de Alberto João Jardim, como aconteceu com Pedro Passos Coelho nas anteriores eleições internas. Mas ontem todos os concelhos, incluindo aquele que tem Miguel Albuquerque como presidente, seguiram as orientações superiores. Refira-se, a título de curiosidade, que foi na Ponta do Sol que Passos Coelho alcançou a melhor votação (21%) na Madeira, seguindo-se o Funchal (19%) e Porto Moniz (11%). Nos restantes concelhos, o novo líder nacional não foi além dos 10%.
Miguel Fernandes Luís com LUSA


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